segunda-feira, 2 de junho de 2014

Sobre Censura e Ditadura na mídia e na internet

Acho que "censura" e "ditadura" deveriam ser conceitos mais bem apreendidos, de forma que as pessoas não ficassem diluindo os mesmos em qualquer ocasião. Ditadura e Censura de fato, são coisas muito graves para serem enfraquecidas pela repetição vazia de significado. Além do que é ignóbil ficar ouvindo isso de uma população de classe média que tem o que comer na mesa, que tem educação gratuita assim como atendimento médico de graça (sendo bom ou ruim), inserida em uma sociedade DEMOCRÁTICA, com O PODER DE VOTAR e ELEGER QUEM QUER QUE SE CANDIDATE PRA PRESIDENTE, DEPUTADO, SENADOR, GOVERNADOR, E O CARALHO!
Então para de MIMIMI e trate de se informar sobre o seu voto, sobre o candidato que você lá colocou. Não adianta votar e esquecer. Tem que votar, vigiar, cobrar e lembrar pra votar de novo na próxima. Não adianta reclamar e não fazer PORRA NENHUMA politicamente, mesmo que seja SABER O QUE FALA!
Sério, já deu de gente burra falando em Ditadura Petista. Não há ditadura petista, psdbista, pmdbista, ou qualquer que seja o partido. O que há é um bando de gente que não acompanha minimamente política, não vai atrás de interpretar um projeto de lei que seja e repete qualquer notícia de jornal pra repetir baboseira. 
Aprender a ler não é saber decodificar o alfabeto, mas ser capaz de refletir sobre um texto e, sinceramente, como profissional da área de letras, eu acho que isso anda em falta na nossa sociedade e isso não é culpa da escola pública, porque tem um monte de gente formada em escola particular, com diploma, sem saber ler o mundo ao seu redor.
O desabafo é porque eu sinto falta de um público conservador que seja inteligente, que tenha argumentos desenvolvidos, que saibam criticar um governo POR SEUS PROBLEMAS FACTUAIS. Eu sinto falta de gente que saiba conversar ao invés de ficar repetindo jargão imbecil. 
Eu sinto falta de alguém que saiba apontar os verdadeiros pontos positivos do governo FHC e que não me venha com aquela idiotice da classe média de vangloriar a paridade dólar-real, ou que erroneamente venha me dizer que foi o plano real (criado durante o governo do Itamar).
Eu não sou inteligente, sábio. Não sou melhor que os outros. Várias das pessoas que eu critiquei aqui diretamente são mais inteligentes que eu em suas áreas e em diversos assuntos. Não se trata de inteligência, de teste de QI. Nem tampouco se trata de alguém que concorde comigo e que tenha a mesma ideologia. Se trata apenas de ler o mundo, de ler política. De poder discutir sem baixaria e sem jargões como coxinha, petralha, etc.
Sério, cansei dessa merda.

sexta-feira, 21 de junho de 2013

20 centavos de moral


Tudo começou como um protesto contra o aumento das passagens no transporte público na grande São Paulo. Enquanto o povo saía às ruas para protestar, a Globo e outros veículos de mídia criticavam a manifestação como "baderna" (por fechar o trânsito), "vandalismo" (por pichar ônibus) e "fútil" (porque vinte centavos não é nada, não é Arnaldo Jabor?). Assisti estarrecido várias manhãs ao Bom dia SP, cujo apresentador boçal reforçava a cada tomada as palavras de ordem da Globo em defesa ao uso de balas de borracha e gás lacrimogêneo. 
O movimento cresceu ao invés de diminuir. A difamação do mesmo pela grande mídia surtiu o efeito reverso. 
Pervertendo a perversão do mercado pela cultura popular, o movimento utilizou o lema da campanha da Fiat e traduziu um sentimento de insatisfação e revolta que havia muito estava sendo ruminado pela população. O #VEMPRARUA e #OGIGANTEACORDOU nascidos dessa perversão extremamente rica trouxeram milhares de brasileiros para se juntar ao protesto.
E assim o movimento cresceu e tomou as ruas das capitais e de cidades menores, como Barretos, São José do Rio Preto, São José dos Campos, Jacareí, etc. Várias pessoas diversas com interesses diversos, todos tomaram as ruas para protestar em conjunto. O Facebook foi trocado pelo cartaz. E nesse cartazes podia-se ler de tudo, desde "não são apenas 0,20 centavos" até os absurdos como "fora Dilma". Essas incongruências foram circuladas por indicações externas ao protesto. A Globo repetiu sem parar: "Pacífico" e "Apartidário", o Pelé não ficou calado e revelou o quanto está no bolso da Globo ("que me cedeu a oportunidade de falar" e da Fifa, porque "vamos esquecer as manifestações" é, no mínimo, risível.
Isso não será esquecido de uma hora para outra.
Mas existem problemas grandes dentro do movimento que virou algo estranho. Algo extremamente assustador. Porque quando houve a grande manifestação em SP e em Brasília eu próprio  fui levado pela onda ufânica da manifestação, gritando fora PSTU, oportunistas, etc. Demorou bastante para eu acordar e perceber o que eu estava fazendo e para onde eu estava sendo levado.
O PSTU foi oportunista, claro. Mas eu não conhecia o envolvimento do partido na manifestação específica e critiquei sem pensar ou pesquisar. Muito mais oportunistas foram as falas de Fernando Henrique Cardoso e de Aécio Neves "defendendo" as manifestações. Acho gozado, porque NUNCA defenderam as manifestações estudantis feitas durante os governos do PSDB. De uma hora para outra eles pegam o ônibus andando e querem sentar no banco do motorista. O PSTU possui muito mais ligação com movimentos populares em qualquer lugar do que o PSDB e cia.
Eu estava contra o partidarismo, mas o partidarismo não é o problema. O problema é a pasteurização do movimento que não possuía causa definida em um movimento pelo fim de todos os partidos. O fim de todos os partidos é, nada mais, nada menos do que ou o fascismo (DITADURA MILITAR), ou a completa Anarquia (Fim de todos os órgãos de governo e hierarquias). Pessoalmente, gosto muito da Anarquia, mas não acho que estejamos preparados para a mesma. Agora, apoiar Ditadura Militar? Quem é o retardado que quer isso? 
Eu não quero!
O movimento se vestiu de um calorzinho extrema direita e proclama cartazes pedindo o Impeachment da presidente Dilma (eleita democraticamente pela maioria da população).  Os gritos de Impeachment casam com os que pedem pela não realização da Copa do Mundo e pela crítica ao Mensalão (como se esse fosse o grande esquema de corrupção do MUNDO.).
Houve uma desvirtuação do movimento para propostas antidemocráticas por interesses externos que não criticam em momento algum qualquer outro partido que não seja o PT. Não me leve a mal, não sou petista. Mas há de se convir que é estranho um movimento "APARTIDÁRIO", criticar APENAS 1 partido, ou APENAS partidos de "esquerda" se é que podemos chama-los de esquerda hoje. Não vi ninguém que quer o fim da corrupção criticar o Mensalão Tucano ou se lembrar do que foi o Banestado. A corrupção só existe e só existiu no governo do PT. Sério mesmo? Alguém REALMENTE acredita nisso? Se acredita, por favor, acorde pra vida! A solução dos problemas não é o fim dos partidos, mas a tomada de CONSCIÊNCIA sobre as eleições. Não adianta votar e esquecer o seu candidato. O mesmo tem que ser cobrado, azucrinado o tempo todo, pois achar que a solução para os seus problemas é o fim do partidarismo e a tomada de poder pelos militares te torna um boçal. Sério, se você acredita nisso minimamente... você é um BABACA!
Nós só podemos protestar porque vivemos em uma espécie de Democracia. Democracia que precisa ser cobrada, pois como podemos ver na primeira manifestação, nossa Democracia é tênue e mantida a custa de balas de borracha e gás lacrimogêneo.
Tomem cuidado. Eu quase entrei na dança. Não entre, pense no que você é contra, pesquise. Se é pra acordar, acorde de verdade, não adianta fazer manifestação em estado de sonambulismo. 


sábado, 9 de fevereiro de 2013

Polêmica tardia: Alcir Pécora e a Arte de Produzir efeito sem causa


Oi gente, bom dia, posto aqui o comentário que realizei acerca da polêmica criada pela resenha insalubre e mal feita do professor Alcir Pécora ao livro a Arte de Produzir Efeito sem causa do escritor paulistano Lourenço Mutarelli. A polêmica é tardia porque se realizou em 2008 (cinco anos atrás) e é polêmica pela boa resposta dada ao professor da Unicamp pelo jornalista Ronaldo Bressane, muito mais inteligente, crítico e analítico em sua análise da obra e da resenha, do que o conteúdo da resenha produzida por um Dr. em teoria literária.
A polêmica pode ser vista no site do Bressane: O IMPOSTOR
Abaixo colo minha resposta tardia ao problema:
 "Meu objeto de estudo é, justamente, a obra do Lourenço Mutarelli e A arte de produzir efeito sem causa é parte do corpus da minha pesquisa. Li a matéria do Bressane e a resenha do Pécora só agora. Nem sabia disso. Achei hoje quando comecei a elencar a bibliografia produzida sobre o Mutarelli.
Tenho problemas com a qualificação do Pécora como melhor professor de literatura pelo Bressane, não sei se foi um elogio para diminuir a crítica a uma resenha medíocre ou por conhecer o professor. Em primeira instância, bom crítico e bom professor são coisas bem distintas. Talvez ele seja um bom professor, um bom organizador, etc. Para mim o melhor professor de literatura hoje é o venerável Prof. Dr. Antônio Manoel dos Santos Silva, que no auge da sua aposentadoria continua lecionando na pós-graduação compartilhando sua sabedoria e suas descobertas de novos autores (porque ele lê todos os contemporâneos).
No entanto, a resenha acima não corresponde a uma resenha de um bom crítico. Digo isso não pela negatividade atribuída a obra. E talvez, como o colega acima haja dito, isso tenha recorrência com a recente descoberta do Pécora de que “a literatura está em crise”. Nesse quesito, abro um parênteses para dizer que a literatura SEMPRE esteve em crise, visto que, sem crise, não há literatura, porque não há o que ser dito. Isso se comprova pela constante alternâncias de “escolas literárias” e estilos durante a história. E mesmo que a crise seja outra, mais específica, essa angústia da contemporaneidade já é discutida desde o fim do modernismo de 30.
Agora, voltando à resenha em si, ela não é ruim, como já disse, pela negatividade que beira ao vulgar. Ela é ruim porque ela não é uma crítica analítica como se espera de um crítico. Ela é a crítica da vizinha: “Ai, não gostei dessa história”. Não me entendam mal, a vizinha tem todo o direito de não gostar, contudo, um crítico literário, ainda mais um crítico renomado , não possui o direito de simplesmente “não gostar”. Ele tem de dizer o porque e especificar. Acredito, que nesse ponto, a crítica do Bressane seja extremamente lúcida sobre análise literária. Desde o formalismo russo já deixamos de nos focar apenas na subjetividade para vislumbrar a obra como um todo. Se Pécora houvesse produzido uma análise problematizando o efeito de ritmo e suspensão na obra, o trabalho de hibridismo que existe entre a obra e o cinema, a fusão de texto como imagem, etc. E dizendo que isso não se realizou plenamente, por isso e aquilo. Isso seria uma crítica. Estaria errada, obviamente, porque estes pontos se realizam perfeitamente na obra e criam uma ligação extremamente rica com a história.
Falando em história, Pécora poderia ter criticado os elementos de narração e apresentar motivos pelos quais o autor não seria um bom narrador, mas isso também não existe. Criticar uma obra apenas pela sua história é um problema complicado, visto que, pela mesma lógica Ulisses seria ruim? O conto O Ovo e a Galinha seria ruim? Há uma diminuição da importância da história em favor da narração em várias das obras mais importantes da literatura moderna e contemporânea e isso não foi criticado pelo Pécora, acredito.
E nesse ponto eu teria de discordar, visto que acredito ser o autor um ótimo narrador. Creio que além de narrador, Mutarelli é um artista no sentido pleno da palavra. Além disso, é interessante notar a evolução e experimentalismo crescente em sua obra. Para os interessados, recomendo a leitura da dissertação de Liber Paz (2008) sobre os quadrinhos de Mutarelli, na qual o professor realiza uma análise extremamente interessante sobre como há uma evolução do traço e da estética nas narrativas em conjunção com uma evolução crescente. Infelizmente não tive acesso à dissertação da Lucimar ainda, mas estou providenciando isso.
Além de tudo, existe uma questão importante ao final da resenha do Pécora que se evidencia: O preconceito de gênero literário. Ao comparar o livro com um gibi, o crítico não o faz com intenção de analisar uma homologia ou diálogo inter-estrutural, mas o faz com tom de deboche, estabelecendo a priori que narrativas sequenciais (gibis) são sub-literatura. Desculpem-me, mas isso é ridículo. É extremamente retrógrado e falacioso depreciar um gênero por si próprio. Na verdade, é extremamente falacioso depreciar obras que não leu como menores. Muita gente faz isso com Paulo Coelho (particularmente não gosto, li Brida e Diário de um mago e existem problemas de ordem sintática e semântica nos dois romances que enfraquecem a construção das metáforas que o autor tenta criar), isto é, criticam sem ter conhecimento do que falam. Não li as outras obras do Coelho, mas não julgo que sejam ruins previamente. Ele pode ter melhorado, afinal.
Fato é, parece-me que o Pécora leu um resumo do livro e não a obra para escrever a resenha e fazer isso para falar mal é, no mínimo, uma grosseria."



quarta-feira, 11 de julho de 2012